Monstro: A História de Lizzie Borden na Netflix; o que é fato e o que é ficção na série
A mais nova aposta do catálogo de true crime da Netflix já está entre nós. A quarta temporada da antologia criada por Ryan Murphy e Ian Brennan, Monstro: A História de Lizzie Borden, mergulha em um dos casos criminais mais misteriosos do século XIX nos Estados Unidos.
Protagonizada por Ella Beatty (Feud), a trama acompanha a história de Lizzie Borden, acusada em 1892 de assassinar brutalmente o pai e a madrasta a golpes de machado. Na vida real, a jovem foi absolvida e o crime segue oficialmente sem solução até hoje.
Diante de tantas lacunas históricas, os roteiristas recorreram à liberdade criativa para construir a narrativa do streaming. Se você já maratonou os episódios e quer saber o que realmente aconteceu e o que foi inventado pela produção, confira o nosso raio-x a seguir.
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Lizzie Borden realmente matou os pais?
Ficção. Embora a série trate Lizzie como a culpada, a Justiça da época a inocentou e nunca surgiram provas definitivas contra ela.
Sabe-se que o clima na residência dos Borden, em Massachusetts, era bastante tenso. Lizzie e sua irmã mais velha, Emma, enfrentavam conflitos constantes com o pai, Andrew — um homem rico, porém extremamente avarento. A relação com a madrasta, Abby, também era fria e marcada por disputas financeiras. Apesar das suspeitas, não há comprovação técnica ou histórica de sua autoria.
Como aconteceram as mortes de Andrew e Abby?
Em parte ficção. A produção reimagina os assassinatos na abertura dos episódios 4 e 5, adicionando elementos dramáticos que não condizem com os relatórios forenses da época.
Na série, Abby é perseguida pela casa antes de ser morta no quarto de hóspedes, algo descartado por historiadores. Outro ponto totalmente ficcional envolve Andrew: na tela, a empregada da casa, Bridget Sullivan, inicia o ataque contra o patrão e Lizzie termina o ato. Na vida real, não há qualquer indício de que Bridget tenha participado ativamente dos crimes.
Houve um romance entre Lizzie e Bridget Sullivan?
Ficção. A série explora teorias populares modernas de que Lizzie Borden seria lésbica e teria vivido um caso amoroso com a funcionária da família.
Apesar de ser um recurso narrativo comum em adaptações ficcionais, não existem registros históricos que comprovem um relacionamento amoroso entre as duas. Pelo contrário: registros do tribunal mostram que a relação de ambas era estritamente profissional e distante.
Aileen Wuornos se inspirou em Lizzie Borden?
Ficção pura. A aparição da serial killer Aileen Wuornos (vivida por Sarah Paulson) conectando sua trajetória à de Lizzie é uma licença poética ousada da série.
Wuornos cometeu seus crimes no fim dos anos 1980 na Flórida e alegou legítima defesa contra clientes que tentaram estuprá-la. Nunca houve qualquer menção ou evidência de que os acontecimentos de 1892 tenham servido de inspiração para seus atos.
A amizade com a atriz Nance O’Neil existiu?
Fato, com alterações na linha do tempo. A atriz de teatro Nance O’Neil realmente foi uma figura marcante na vida de Lizzie, mas a série antecipou esse encontro.
Enquanto na tela Nance aparece aconselhando Lizzie durante o julgamento, na vida real as duas só se conheceram mais de uma década depois, em 1904. A amizade foi tão íntima e gerou tantos boatos na época que acabou provocando o afastamento definitivo entre Lizzie e sua irmã Emma.
Lizzie assassinou Bertha Manchester?
Ficção. No roteiro da Netflix, Lizzie e Bridget assassinam Bertha Manchester como uma espécie de “teste” antes do crime principal, motivadas por supostos maus-tratos sofridos pela empregada.
Na realidade, Bertha morava longe dos Borden e foi vítima de outro ataque com machado perto da data do julgamento de Lizzie. As investigações oficiais da época apontaram e condenaram outro suspeito pelo crime, descartando qualquer envolvimento das duas mulheres.
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